Sindicatos debatem impactos dos cortes do Governo Temer na Educação
Publicado em 10/08/2018 às 20:08
Representantes do Sinasefe IF Sertão-PE, do SindUnivasf e da Adupe, se reuniram na tarde desta sexta-feira (10/08), no Campus Centro da Univasf, Petrolina/PE para debater sobre os avanços do neoliberalismo na educação e os desmontes realizados pelo governo Temer. Durante a conversa, dois temas foram tratados: o crescimento do setor privado no ensino superior e na educação básica, com as reformas do ensino que aconteceram recentemente, e os cortes de verbas para pesquisa, que também vem sendo desmontada.
Um dos convidados do debate foi o Prof. Moisés Almeida, presidente da Associação Docente da Universidade de Pernambuco (Adupe), ele considera que, “há um perigo real da universidade ficar sem recurso para a pesquisa e, já claramente, a partir dessa reforma do ensino médio nós termos boa parte da educação básica a serviço ou servindo o setor privado”, enfatizou.
Ao falar do crescimento de grupos privados, Almeida demostrou preocupação. Destacou que com as reformas do governo Temer, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que antes era destinado apenas para agentes públicos - município, estados e federação, agora beneficiará grandes empresas privadas que visam enriquecer usando recursos da educação.
O debate reuniu estudantes, professores, profissionais liberais e representantes de entidades de classes, dentre estes, Daniel Besarria, assessor jurídico e advogado do Sinasefe IF Sertão-PE. Segundo Daniel, “o debate foi de extrema importância pois, além de fomentar uma conscientização da classe, no sentido de que juridicamente falando a classe tem direito, houve também uma discussão sobre como a administração pública faz esses cortes de forma silenciosa”, pontuou.
Daniel destacou ainda a importância da atuação do Sinasefe, na luta contra o desmonte da educação. “Trata-se de um sindicato com uma postura combativa, uma entidade que tem pleiteado dia e noite os direitos de seus filiados, e não filiados”, frisou.
A Seção Sindical atua em parceria com movimentos sociais da região, e nacionalmente se filia a luta das centrais sindicais – CSP Conlutas e Andes que, há tempos levantam a bandeira de luta da classe docente e técnica fazendo um contra discurso, ou seja, contra argumentando as falsas verdades criadas pelo governo, que tenta a todo custo empurrar os retrocessos “goela abaixo”.
O projeto neoliberal, implantado no país após o Golpe de 2016, contra o povo, que resultou na queda da presidenta Dilma Roussef e mais recentemente na prisão do Ex-Presidente Lula, evidencia ainda mais as razões pelas quais Temer e seus aliados atuaram, sorrateiramente, para desestabilizar e precarizar a educação pública. Um exemplo claro disto, é a Emenda Constitucional 95, proposta por Temer, que congela os investimentos na saúde e educação por mais de 20 anos, tal fato representa um retrocesso drástico para o país e precariza ainda mais as relações de trabalho dos profissionais da educação e a qualidade do ensino.
São ações como essas que, as vezes, “passam desapercebidas, como se não fossem atingir as pessoas, como se fosse algo que estivesse fora do contexto, como se não viesse trazer resultados negativos, enquanto nós sabemos que isso vai atingir estudantes, professores, bolsas de pesquisa, mas principalmente, vai atingir a população brasileira”, pontuou Daniel Besarria.
O presidente do SinUnivasf, professor Adalton Marques, acredita que o desmonte da educação vai além do projeto implantado pelo Governo Federal. “É um desmonte promovido, organizado, arquitetado pelas forças neoliberais que vão se espraiando pelo mundo ocidental e impondo medidas de austeridades para os países periféricos, forçando o discurso de que nós não temos recursos e que, portanto, nós temos que cortar os serviços básicos e públicos, ligados ao Estado”, avaliou, Marques.
