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Sinasefe mobiliza servidores contra o trabalho voluntário de docentes na Rede Federal da Educação

Sinasefe mobiliza servidores contra o trabalho voluntário de docentes na Rede Federal da Educação

Publicado em 23/08/2018 às 18:26

“Nossos tempos não são de espera, mas sim, de resistência”, é com essa frase que o Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional), alerta para o abismo e mudanças por ordem do Governo Federal que prejudicam a qualidade e valorização dos nossos docentes. Os servidores da educação vivem a sina de integrar um novo modelo de trabalho através do serviço voluntariado sem fins lucrativos, ou seja, filantropia pura sem mistura.    

Como se não bastassem os ataques que temos sofrido por meio das medidas governamentais (Reforma Trabalhista, Emenda Constitucional nº 95/2016, Reforma do Ensino Médio etc), temos agora um tiro vindo de dentro de nossas trincheiras. Os próprios Institutos Federais (IFs) estão aplicando uma estratégia lamentável e muito conhecida em várias universidades públicas: a adesão de professores voluntários. É preciso, de imediato, nos posicionarmos contrários a essa ação que expressa a intenção de mascarar os problemas com falta de professores em algumas instituições e coloca outros trabalhadores numa condição de trabalho precarizada e não remunerada.

É preciso vetar essa prática sobre a prestação de serviços voluntários docentes no âmbito dos IFs. A contratação e inserção precária de docentes é uma das medidas da Reforma do Ensino Médio. Em alguns IFs, tal prestação de serviços já é realidade. No campus Colinas do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), por exemplo, um edital foi lançado para a seleção de professores voluntários que não teriam direito nem mesmo ao vale transporte.

Ainda de acordo com a nota, nesse mesmo edital, o objetivo presente no texto afirmava que tal medida se fazia necessário para "evitar a perda ou descontinuidade de atividades de ensino, pesquisa e extensão nos cursos oferecidos". É uma lógica perversa que, se não analisada atentamente, pode parecer uma excelente medida para um problema grave que são estudantes sem aula por falta de professores.

Em algumas resoluções de IFs que já permitem esse tipo de ação, os documentos expressam que "o trabalho como professor voluntário constituirá uma honraria acadêmica ao profissional". Honraria acadêmica trabalhar de graça sem ter qualquer tipo de benefício? Isso expressa como somos reconhecidos por nossos próprios colegas de trabalho que, assim como muitos de nós, passaram nos mesmos concursos públicos e agora atuam como se fossem nossos patrões. Alguns diretores e reitores lacaios que acreditam e assumem a postura de serem os olhos do Estado contra nós, trabalhadores.

Não conseguem dar-se conta de que tal medida é um benefício enorme, não para nós, mas para o próprio Estado. O Estado do Capital. Haja vista que contratando professores voluntários, abre-se mão de concursos públicos ou testes seletivos. Na ótica deles, uma medida necessária e econômica. Para nós, um golpe que mascara os problemas de falta de professores pelos cortes nos orçamentos para a educação pública.

Nenhum direito a menos!


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